quinta-feira, 23 de abril de 2009

Palma forrageira com bicho lixeiro é mais saudável


Jocélia G. da Silva1; Paulo A. Wanderley2; Alexandre José S. Mina3 & Francineide M. C. Lima4.

Por apresentar características morfofisiológicas compatíveis com as condições de clima e solo do semi-árido paraibano é que a palma forrageira é utilizada com sucesso, fazendo parte da alimentação dos bovinos, caprinos e ovinos. A palma é uma das principais alternativas de alimentação para os animais durante o período de seca, o que é justificado pelas seguintes qualidades: a) bastante rica em água, fibra e resíduo mineral; b) possui alta digestibilidade da matéria seca e c) possui alta produtividade (http://www.ambientebrasil.com.br/; COSTA et al.,1973). Nos últimos anos a palma forrageira variedade gigante vem sendo comprometida pela cochonilha Dactylopius opuntiae (cochonilha-do-carmim) que tem se tornado uma praga importante em diversos municípios, principalmente nas microrregiões geográficas do Carirí Ocidental, Serra do Teixeira e Piancó (LOPES, 2005).
1 – Mestranda, UFPB/CCHSA/PPGTA – Bananeiras-PB
2 - Dr.Agronomia, UFPB/CCHSA-Bananeiras-PB
3 - Dr. Engenharia Civil, UFPB/CCHSA-Bananeiras-PB
4 - MBA em gestão de negócios-UNP-RN/C&E-PB
Devido ao seu grande poder de proliferação e disseminação, essa praga pode causar danos severos e irreversíveis, provocando conseqüências sócio-econômicas gravíssimas em comunidades agrícolas onde a atividade leiteira é extremamente dependente do cultivo de palma, como fonte de suplementação alimentar para os rebanhos durante os períodos de estiagem, como é caso do município de Monteiro (LOPES, 2007).

Esse inseto-praga produz o carmim (ácido carmínico) de alto valor comercial, pois é o corante natural mais procurado pelas indústrias de bebidas, alimentos, tecidos, etc., em substituição aos corantes artificiais. É tão importante comercialmente, que existe uma organização mundial com o propósito de orientar e divulgar toda a cadeia produtiva, inclusive as exportações. A Organizacion Mundial de la Cochinilla y el Carmin dita o preço médio globalizado, que gira em torno US$ 18,00/kg da cochonilha seca, para ser esmagada.

A cultura da palma forrageira é uma atividade lucrativa para os caririzeiros, pois além da alimentação dos rebanhos proporciona renda extra para o sustento da família. Um hectare de palma nas épocas de estiagem prolongadas chega a custar entre 1.800,00 e R$ 2.000,00. Num hectare de palma forrageira se produz, em média, 400 kg de cochonilha seca, que comercializada a R$ 2,50 somariam R$ 1.000,00. Com esses dados, infere-se que, economicamente, é mais rentável produzir a palma para comercialização do que a cochonilha, pois depois de estabelecida no palmal degeneram drasticamente todas as plantas, inclusive matando-as, a ponto de não servirem de alimento para os animais (www.emepa.org.br/inf_cochonilha_carmim.php).
As perdas de produção podem alcançar até 100%, tornando muitas vezes inviável a pecuária bovina, caprina e ovina na região. Estima-se que, hoje, a cochonilha já tenha destruído mais de 100 mil hectares de lavoura da palma nos Estados de Pernambuco, Paraíba e, em menor escala, no Rio Grande do Norte e no Ceará. A rapidez com que esta praga é disseminada pode trazer sérias conseqüências para a atividade pecuária, visto que ela é a principal alternativa de alimento para os rebanhos. Por isso a necessidade de se utilizar métodos de controle biológico, pois além de ser uma técnica econômica, não contamina o meu ambiente nem prejudica a saúde humana. E reduzir biologicamente a população de um inseto praga através de um elemento de sua própria cadeia alimentar constitui um dos grandes avanços da tecnologia na área agrícola.
Importância do controle da Cochonilha Dactylopius opuntiae
É um pequeno inseto conhecido como piolho ou cochonilha da palma que infesta as raquetes com suas colônias protegidas por escamas de coloração marrom clara ou areia, modificando completamente o aspecto da palma. Ela suga a planta para se alimentar, enfraquecendo a mesma e provocando o amarelecimento e morte das raquetes. O método mais indicado para combater a cochonilha é através do controle biológico, no qual são usados os inimigos naturais, tais como o bicho lixeiro (Chrysoperla externa) como uma possível e eficaz alternativa para seu controle.
Importância do lixeiro como predador
Programas de criação massal de inimigos naturais tem passado ao longo dos anos por marcantes e consideráveis mudanças. Para se tentar minimizar alguns desequilíbrios, recomendam-se constantes adequações no tipo e qualidade de presa a ser utilizada como fonte de alimento para o inimigo natural, visando obter indivíduos com características desejáveis (OLIVEIRA et al., 2002).

Dentre os diferentes grupos de predadores, os insetos da ordem Neuroptera e família Chrysopidae destacam-se pela ocorrência generalizada em vários agroecossistemas, bem como pela sua capacidade de predação.

O “bicho lixeiro” é um importante inseto predador, ataca uma grande variedade de insetos que destroem as culturas, possuem alta voracidade de ataque sobre suas presas e facilidade de criação em laboratório. Devido sua grande capacidade de predação ele reduz ou, em alguns casos chega até a eliminar a utilização de inseticidas, o que favorece os organismos benéficos.
Considerações finais
A cochonilha-do-carmim é um inseto benéfico para alguns países, pois gera emprego e renda com a venda e utilização do carmim nas indústrias (como corante natural de grande valor comercial). Porem, no Cariri paraibano, este inseto-praga está prejudicando a palma forrageira, o que, sem dúvida, acarretará exterminação dos animais que tem como principal fonte de alimento a palma, gerando desemprego, fome, e miséria, pois sua ação é devastadora, provocando o êxodo rural. O bicho lixeiro, inseto classificado na ordem Neuroptera e importante predador juntamente com as joaninhas, podem dar grande contribuição para o controle da praga e deixar a produção de palma limpa e mais rentável para o agricultor.
Bibliografia
BRASIL, A. Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br/ . Consultado em: 22/04/2009

EMEPA. Disponível em: www.emepa.org.br/inf_cochonilha_carmim.php . Consultado em: 22/04/2009

COSTA, B. N. C.; MENDONÇA, C. A. G; CALAZANA, J. A. M. Forrageiras arbóreas e suculentas para formação de pastagens. Cruz das Almas: IPEAL, 1973. 24p. (IPEAL, Circular, 34).

LOPES, E. B. Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae, Cockrell): Nova Praga da Palma Forrageira (Opuntia ficus-indica,Mill) nos Estados de Pernambuco e Paraíba. Nota Técnica. Disponível em: .

LOPES, E. B.; BATISTA, J. L.; BRITO, C. H.; ALBUQUERQUE, I. C. Infestation level of carmine cochineal in cactus pear (Opuntiia ficus indica) n Monteiro municipality, State of Paraíba, Brazil. In: INTERNATIONAL CONGRESS ON CACTUS PEAR AND COCHINEAL, 6, 2007. Resumos, October, 2007.(CD
ROOM).

OLIVEIRA, J.E. de M.; TORRES, J.B.; CARRANO-MOREIRA, A.F.; RAMALHO, F.S. Biologia de Podisus nigrispinus predando lagartas de Alabama argillacea em campo. Pesquisa Agropacuária Brasileira, v.37, n.1, p.7-14, 2002.

Um comentário:

  1. Muito interessante. É um ponto que a maioria das pessoas não possuem o conhecimento

    ResponderExcluir

Deixe aqui o seu comentario sobre esta materia